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Relatórios Referentes a Pesquisa de Diagnóstico Rápido e Pronta Resposta Aplicada na Cidade de São Vicente em 1998, como Parte do Estudo Multicêntrico de HIV/AIDS entre Usuários de Drogas Injetáveis da OMS - Fase II.

Análise do Discurso

Agrupamento Homogêneo Usuários de Drogas

Tema 1: Drogas

Discurso coletivo:

Não há um conceito sobre drogas, podendo ser entendida pelas experiências que oferece, em geral negativas. Todos os entrevistados manifestam o desejo de pararem de usar drogas.

Expressões chaves:

" Sinceridade, droga eu acho que é a perdição da vida, entendeu? Porque quando eu comecei nisso aí, acho que eu estraguei foi a minha vida, porque eu perdi o meu serviço, perdi a minha esposa, perdi a minha família, e agora eu tô pensando saí desse negócio aí.. È tipo substância, você usa agora, usa no nariz isso aí, daqui a pouco só dá aquele negócio, o elo, você fica locão, depois acaba, você vai de novo e vai de novo, e tem muitas vezes, se você não tiver cabeça você fica doido, na boa, aí tu quer roubar pra comprar e usar de novo" (A, masculino, 35a).

"Droga tem que nem, vamo supor, pode ser a maconha, a cocaína, o crack, como aconteceu, a nova geração, a nova droga que apareceu né, eu acho que tudo isso aí é uma droga...Droga porque eu acho que não leva a nada a pessoa, só leva na hora que precisa dela, mas não ajuda em nada, então eu acho que é isso aí, então ela é uma droga...É legal assim, principalmente quando a gente sente vontade de usar ela, na hora do desespero, é uma coisa que a gente se sente aliviado, eu penso assim, eu me sinto assim, entendeu? O que eu faço não importa as outras pessoas...É, ela me alivia assim na hora, vamo supor, da amargura, da solidão, então eu acho que é isso aí...Ela se torna ruim depois que chega de novo na solidão, não tem, vamo supor, a gente não tem como contribuir, ou querer mais, e não tem como conseguir, se torna solidão, não tem como usar, você rebola sozinho, tem aquele pessoalzinho, eu não sou dependente dela né, mas eu penso assim, e já vi por entrevistas de televisões também né, e já passei assim por determinados momentos também, entende? Eu gosto de beber um aperitivo, eu vou ser sincero, eu bebo a cachaça. A droga pra mim, tanto faz se ela tiver ou não tiver, pra mim não diz nada, eu não sou dependente dela" (V, masculino, 30a).

"Bom, droga pra mim, que eu conheça, é o álcool, o fumo, a maconha, a cocaína, o crack, pra mim é o que eu considero como droga, que é o que tá sendo mais utilizada dentro do mundo inteiro, certo, não sei qual delas é a melhor ou a pior, mas eu acho que todas elas não presta, certo? Por isso é uma droga...Não presta porque eu já tenho experiência que elas não presta, entendeu? Não levam a nada, eu já vi amigos meus, sabe, indo embora por causa delas...Morrendo, morrendo porque se perdia no uso, em demasia, aquela vontade louca de querer acabar com tudo numa hora só, e o mundo acaba mesmo pra eles, entendeu? Então eu tenho experiência própria, de visão ótica, entendeu, a olho nu, presenciar fatos de deixar a gente de cabelo branco rapidinho" (W, masculino, 45a).

Discurso coletivo:

Distinguem-se dos "viciados" , que não são capazes de conduzir suas vidas normalmente, trabalhar, estudar, manter seus vínculos de amizade, familiares, etc. Os usuários de droga, na maioria são jovens, e iniciam cedo. Todos os entrevistados colocam que sabem usar droga, mantendo o controle.

Expressões chaves:

"Hoje em dia todo mundo usa droga, acho que nesse mundo não tem ninguém que não experimentou não, por causa que nesse mundo que a gente tá vivendo, moleque de 10, 11 anos já são usuários, esse tipo de droga não tem como distinguir, é velho, é rico" (C, masculino, 19a).

"Olha, eu acho que existe separações aí, entende? Porque tem pessoas que sabe como usar a droga, mesmo ele usando ele trabalha, ele tem família, certo, ele é um cara responsável, mas tem outros que não sei se a própria mente que é fraca ou ele usa em excesso, mas com o pensamento na maldade, então, se ele tiver ultrapassado, se ele tivesse que trabalhar 23 horas, ele já não iria, já abandonaria aquele serviço dele, ia arrumar um atestado, ou de repente se arrumava atestado já não arruma mais porque já se desgastou na droga e acaba até perdendo até o serviço, entende, outros não, que sabe usar, sabe como levar dentro de uma, como diz o outro, socyte né, ele vai caminhando bem tranqüilo, que ninguém percebe, nem sabe Que. ele usa, e ele se controla nesse jeito dele, com responsabilidade, com ato de carinho com os filhos, tal, mas nunca se perde, então é um cara que sabe usar uma droga...Olha, eu digo pra você o seguinte, eu uso droga desde os 14 anos de idade, e a droga que eu uso é a maconha, certo, e de lá pra cá eu nunca tive problema nenhum a respeito de droga, nem com justiça, nem com a parte física, mental, e nem com familiares, porque é o que eu digo pra você, é sabendo usar. Eu não uso perto de ninguém, eu sou um cara reservado, eu quando quero fumar, eu vou fumar num lugar que eu sei que ninguém vai me ver fumando, não deixo crianças, meus filhos, sobrinhos, netos, nada perceber o que eu faço, entendeu? Então é o modo da pessoa saber usar, entendeu? Eu digo nesse sentido que eu faço, não sei das outras maneiras, que tem muita gente aí, como eu vi, em calçadas fazendo, e gente passando pra lá e pra cá, isso tá alarmando né, simplesmente querendo se aparecer, isso aí é uma coisa proibida, tem que fazer escondido, como diz o outro, o namoro quando é escondido é mais gostoso, passou a ser liberado, ele já não passa a ser aquela coisa respeitosa, carinhosa, entendeu? Passa a ser... é a mesma coisa a droga" (W, masculino, 45a).

"A pessoa que usa direto, corretamente, tem até um apelido, que se chama de psico, psicopata, que é toda hora tá usando isso aí, então o cara não trabalha, ele não tem condições, porque ele tá precisando do serviço, agora você usar de vez em quando, você vai ter força de vontade pra trabalhar...É assim, quer dizer, ele quer trabalhar pra pegar o dinheiro pra comprar a droga, mas isso não é vantagem, eu acho que o cara tem que, se usa, então, mas tem que separar o serviço da droga, não pra trabalhar pra depender disso aí...Não tem capacidade de estudar não... porque a mente tá em outro lugar, a mente da pessoa tá pensando só naquilo entendeu? Não tá pensando no estudo, ela usou antes de entrar pro colégio, aí já passou aquele, tipo, efeito, aí já vai pensar de novo em buscar o negócio que tá, prá fazer de novo o mesmo efeito... Eu acho que tá mais nos jovens agora...Uns 15 anos, essas molecada que tá nos baile rap, esses negócio tá começando agora" (A, masculino, 35a).

"Psico é se jogar na pedra, ser tipo usuário de pedra, tipo, igual, o meu amigo é psico né, ele fuma pedra todo dia, ele rouba pra comprar pedra, ele tá se acabando na pedra, tá ficando magro, ele parou de comer, fica virando todo dia, a noite, dia e noite fumando pedra, isso é psico, agora o usuário não, é a pessoa que usa, pá, mas tá sempre ali "ah, vou usar, vou acabar de usar aqui, e vou lá na minha casa, tomar um banho, vou comer, vou descansar, depois eu saio", é assim, nós somo assim, a gente fuma lá na rua, que agora ninguém mais tá usando pedra, agora todo mundo colocou a cabeça no lugar e viu que não é essa droga que vai levar a gente pro poço do inferno, porque essa droga é a qual tá matando mais né, e é uma droga que tá sendo mais prejudicada no mundo todo, porque existe muitos usuários, tem muita gente que nem fuma mais maconha por causa da pedra, eu já vi muita gente também ser, como é que se fala? Ah, esqueci...assim, tipo, dever tá ligado, por causa da droga, e morrer, eu já vi muita gente morrendo por causa de dívidas de droga, lógico que foi por causa da pedra né, porque só ela faz isso, também teve um dia que eu tava lá na rua com uns amigos maus, aí tinha dois amigo meu traficando, aí o dono da pedra chegou lá mal, também de pedra, já tinha usado tudo as pedra dele, aí queria as pedra, "ah, cadê o meu dinheiro, e não sei o que, ah, que eu vou te matar", e foi lá na favela, no Bitaru, buscou o revolver, "ah, que não sei o que , vou te matar"" (F, feminino, 14a).

"Aí depende, se for consciente, né mano, se não for muito viciado ainda dá pra fazer isso tudo, agora, tem uns que só quer usar o bagulho, não pensa em fazer nada, não pensa mais em nada, só usar, só usar...Viciado é qualquer dinheiro que pega querer comprar, roubar, quando não tiver mais...fica dependente, tá ligado, só qué o bagulho só, meu, não quer mais saber de nada, não quer estudar, não quer...nem fica em casa direito, fica mais na rua. Isso aí é viciado" (L, masculino, 19a).

"Ah, não consegue mesmo fazer as coisas, eu acho que até, vamo supor, na escola mesmo, na escola, se ele tiver meio doido na escola, ali olhando o quadro negro, não tá nem prestando atenção no que que é, e não guarda na memória né, a memória dele fica um computador voando" (V, masculino, 30a).

Discurso coletivo:

Todas as classes sociais fazem uso de drogas. Na classe alta, o consumo maior é o da cocaína inalada, e a classe baixa usa mais o crack, e as outras drogas.

Expressões chaves:

"Ah, sei lá mano, tem os dois tipos, da classe alta tem uns que usa também, tem os da classe baixa também... Não sei, mano, isso aí eu não sei, mas é, tu vê que é, você vê que é, muito difícil vê alguém da classe alta usar pedra, ou mesclado, ou então fumando maconha, usa mais cocaína só, o resto usa tudo" (L, masculino, 19a).

"A maconha é o pessoal mais pobre que usa, mais pobre...Crack também é o pessoal mais pobre entendeu, porque hoje em dia pra comprar uma pedrinha de crack desse tamanho é cinco reais, a grande já é dez reais entendeu, já é para a pessoa mais pobre; a cocaína, o pessoal, eu digo que é o pessoal mais de nível porque pra comprar um pacote de cocaína é dez reais e o efeito da cocaína deixa melhor do que da maconha, entendeu, por causa que o maior dos usuários é tudo filhinho de papai e mamãe que fica passeando aí de carro entendeu, de carrinho, dá um cheirinho antes de sair, por isso que acontece muito acidente por aí" (C, masculino, 19a).

Idéia central:

Somente o pobre usa droga, e a classe alta também usa crack.

Expressões chaves:

" Aquela pessoa mais pobre que mora na favela, que tem aquele contato, que tem aquelas pessoas que precisam vender entendeu, pra pegar dinheiro para pegar coisa, e acaba vendendo e acaba ali perto e usando, era igual eu, eu quando se mudei para lá eu não sabia sabe? Aí eu comecei a fazer amizade e aquilo lá foi, e com essa minha revolta com os pais, pais que batem nas mães, pai que bebe, a pessoa procura outra coisa pra fazer, eu acho assim entendeu, foi mais ou menos isso" (R, feminino, 15a).

"É, o mesmo tipo, só que eu acho que tem mais rico, que quer usar mais, aquelas mais, tipo o crack, o rico gosta mais disso aí...O pobre também usa, mas só que o rico usa crack mas sabe se comportar como gente, e o pobre não, o pobre já vira maloqueiro entendeu" (A, masculino, 35a).

Idéia central:

A classe alta pode também fazer uso de cocaína injetável e heroína. Somente esta classe usa devido ao alto custo.

Expressões chaves:

"Os da classe alta usa mais cocaína, né, tem uns que toma baque também, mas pedra, nem pensar, agora pedra é mais pros de rua, a classe baixa" (L, masculino, 19a).

"Não, rico também usa, a heroína só pra quem usa a heroína só para ser rico, só para quem tem dinheiro, rico que usa bastante droga, não é só moleque de rua que usa não" (G, masculino, 19a).

Discurso coletivo:

A prostituição atinge a faixa de 12 a 15 anos, sendo predominantemente feminina.

Expressões chaves:

" Já, já ouvi, que nem aqui mesmo, inclusive aqui na favela a gente vê várias meninas que vendem o corpo pra isso aí, por droga, eu já vi, outro dia mesmo eu tava no bar ali, fui comprar uma cerveja era mais ou menos meia noite, na verdade uma pediu um cigarro pra mim e eu falei que ela era bonitinha, eu falei "ah, você é bonitinha", aí eu fui embora, aí ela queria se vender, eu não tinha dinheiro, o dinheiro que eu tinha era só pra cerveja, ela queria se vender, claro, a troco de quê, ela tava tremendo, adivinha o que ela tava querendo...Ela tava tremendo, quer dizer, uma menina ali que, vamo supor, se eu ofereço 2 reais, 3 reais, 5 reais, ela aceitava às vezes pra inteirar pra comprar a droga... É, e tem bastante isso aí. Aqui mesmo em São Vicente, aqui isso daí eu já vi bastante, tem várias meninas, meninas novas de 15, 14 anos, meninas que podia tá na escola aí, aprendendo alguma coisa, mas também isso daí é o nosso governo, é o desemprego, não dá serviço pra ninguém, e o que vai acontecer, não vai acontecer nada demais, só um pai de família chegar na casa dele, encontrar um filho chorando de fome, o aluguel pra pagar, o que ele pensa? Ainda mais de for viciado, ele deve ficar louco, capaz de matar" (V, masculino, 30a).

"Não, comum não é, mas na realidade vem acontecendo muito, muitas meninas dos seus 13, 14, 15 anos, se prostituindo por 2, 3 reais, pra poder adquirir justamente esse danado do crack, isso eu vejo mesmo constante" (W, masculino, 45a).

Idéia central:

A prostituição masculina é associada ao homossexualismo, e existe em menor proporção.

Expressões chaves:

" Por causa da droga só faz esses negócios aí mesmo quem nasceu viado, esse negócio aí, porque se o cara for homem mesmo ele não troca seu corpo por droga não" (C, masculino, 19a).

"Ah, a não ser que é viado, aí faz pra ganhar dinheiro...É mulher, homem também, isso aí tem muito, São Vicente é cheio. Na minha rua tem uns três, uns três viado que fica andando com os outros cara só pra ganhar a droga" (G, masculino, 25a).

Discurso coletivo:

O usuário pode ser motivado a usar droga por problemas familiares, ou por influência de pessoas que já faziam uso.

Expressões chaves:

"Ah, sei não, eu sei que muitos tem uns poblema, uns poblema em casa e tudo, aí pra se livrar dos poblema usa droga pra esquecer, desconta, pra descontar usa droga...Ou então tem uns que vai influenciando, mas aí tu vai ver, sempre tem um poblema, sempre tem um" (L, masculino, 19a).

"A pessoa começa a usar droga, em parte assim, vamo supor, barzinho, por experiência, ou por querer aparecer, isso é mais o que eu penso. (Por experiência?) ...É, ele tem uns amigo, ele nunca usou, os amigo dele todo usa, ou amiga, que seja, vão lá, vão curtir um bailinho, vão lá, vamo supor, numa lanchonete, e lá chega, tem umas amiga, uns amigo que usa, e ela não usa, e ela se sente constrangida né, só que ela não quer fazer aquilo, e vê o outro, daí é a hora Que., e as outras "vamo, vamo", os amigo vamo que vamo, é a hora que começa, depois que foi a primeira vez, vai se sentir legal, vai continuar" (V, masculino, 30a).

"Por curiosidade e acaba se prejudicando, e quando eu comecei, eu também comecei a usar por curiosidade, e acabei me prejudicando, então é o que eu falo, quem tiver pensando em usar isso aí, eu aconselho, não vai nessa" (A, masculino, 35a).

"Ah, eles fica falando "fuma"... os colega, "fuma, que não prejudica, que não vai acontecer nada. (E o que você acha disso?) Ah, eu acho que eu tenho que parar, mas eu tô conseguindo parar, porque eu acho que fica muito prejudicada as família, as família despreza, ninguém gosta, todo mundo se afasta de você" (R, feminino, 13a).

Discurso coletivo:

Há uma estreita relação entre droga e criminalidade, uma vez que para possibilitar o consumo, muitas vezes há a necessidade de roubar, matar, etc.

Expressões chaves:

"Muitos começam a roubar, eu nunca fiz isso, é difícil, as pessoas que usam droga sempre faz, começam a roubar, matar, eu nunca fiz isso, nunca matei ninguém, não tenho passagem, não tenho nada... É comum né, porque é gente de cabeça fraca, porque tem muitos que usa e sabe o que tá fazendo, outros usam e até fazem maldade, acho que isso aí é safadeza, porque droga não deixa a pessoa dizer que vai ficar louca, não tem noção das coisas, eu acho que tem" (G, masculino, 25a).

"É que a pessoa, ela fica roubando, mas quando fuma maconha não, acho que isso nem passa pela cabeça dela de roubar, mas só quando ela é viciada, que nem ela é viciada assim, aí ela fica com vontade de roubar, fica nervoso, qualquer coisa já quer brigar com os outros, já quer bater" (R, feminino, 13a).

"Olha, eu digo que no dia de hoje isso é comum, isso é comum, porque você veja bem, a maior parte de assassinato, de homicídio que tá acontecendo por aí só aparece nesse tipo de jovens, de 16, 18 anos, 15, que tão assaltando a mão armada, matando, morrendo por dívida, por isso, por aquilo, isso é o que mais acontece...Tudo tá ligado a droga, com certeza, jamais você teria um filho pra morrer assim, tão bestamente, pô, se você tá dando de tudo pra ele, do que você pode, dentro das tuas posses, jamais ele poderia sair com uma arma pra poder assaltar alguém pra comprar um carrinho, ele não vai assaltar ninguém pra comprar um carrinho ou comprar um vídeo-game, ele vai assaltar pra comprar droga, com certeza, que é aonde ele não tem experiência e acaba se dando mal" (W, masculino, 45a).


Tema 2: Uso de drogas

Discurso coletivo:

As drogas mais conhecidas são o crack, a maconha, cocaína inalada, cocaína injetável. Também citados: álcool, mesclado, haxixe, LSD, heroína, esmalte.

Expressões chaves:

"Esmalte também, eu falo que eu cheirei esmalte, a uns tempo atrás aí não tinha nada pra usar, aí um molequinho falou pra mim pegá uns esmalte da minha mãe para eu cheirar, aí eu falei vamos, aí eu peguei, cheiramos, aí...O que tem muito é o crack, a cocaína e a maconha" (C, masculino, 19a).

"Maconha, cocaína, só isso...Existem muitas drogas por aí, haxixe, tem a heroína, tem muita droga" (G, masculino, 25a).

"(a cachaça) Ela deve ser uma droga porque geralmente ela não faz bem para a gente, porque eu mesmo, se eu ingerir bastante, eu já não me alimento, eu também passo noites bebendo, já não tenho horário para dormir, se você falar que eu tenho que dormir 9 horas, eu não vou dormir 9 horas, aí eu encontro um amigo já fico até 10 horas...Eu já usei cocaína, já usei maconha, e foi a única das drogas que eu usei... É, existem outras que eu já ouvi falar, várias outras, LSD, crack, esses daí eu nunca usei, são coisas que a gente vê falar que existe né, mas são drogas que eu nunca usei" (V, masculino, 30a).

"Não, que nem o cara lá falou, hoje em dia é mais difícil, hoje em dia é mais pedra, tu vê todo mundo usando pedra aí na rua, agora baque, maior tempão não vejo ninguém, era mais na antiga, na antiga tinha muitos que usavam... Tinha mais baque, morreu tantos, tem uns aí que tá com AIDS, mas na antiga é que tinha mais baque, hoje em dia não, hoje em dia é pedra, a pedra dominou já... a pedra dominou quase o mundo todo mano" (L, masculino, 19a).

"Que as pessoas que eu conheço mais tem umas que usam, injetável eu conheço muito pouca pessoa, agora maconha, crack, mesclado, que é a maconha né com pedra é as que usam mais, tem uns que cheiram também né" (R, feminino, 15a).

Idéia central:

A maconha não faz mal à saúde, e não é considerada uma droga, pois não afeta as atividades rotineiras.

Expressões chaves:

"Ah, depende, o papel, tipo, se for pra uma pessoa só, e o cara não for muito viciado, fica umas duas hora, agora, se ele já for viciado, ele vai jogar tudo, vai cheirar tudo de uma vez, e daqui uma hora já passou, e quer mais, agora a pedra é mais rápida ainda, a pedra tu já compra, já usa e já quer mais, daqui uns quinze minutos já quer mais; mesclado também é quase igual, mesclado é umas meia hora, agora o fumo não, o fumo demora, o fumo, tipo, eu nem considero muito droga, é o mais fraco de todos...Porque tu fuma, tu se alimenta, tu dorme, tá ligado, tu ainda sente a vontade de fazer os bagulho, dá pra trabalhar e tudo, agora, usando droga tu não quer fazer mais nada mano, só quer usar, só usar" (L, masculino, 19a).

"Só a maconha, existia outras drogas, como a cocaína sempre existiu, mas ela não aparecia, ela aparecia nos grandes escalões, certo, mais naquele pessoal de renda baixa e tal, eu nunca vi aparecer, começou a aparecer essas coisas de fundo de quintal, que nego fabrica por aí, que pra mim isso não é cocaína, cada vez mais estraga a saúde dos outros, ainda mais essa tal de crack que apareceu, que é a cocaína queimada, sei lá como que eles fabrica isso aí, que eu nem sei como é que é, mas então, na realidade pra mim, a droga que eu usava e uso até hoje, ela nunca me fez mal, em sentido algum, nem mental, nem físico, nem nada, simplesmente ela até me esclarecia, ajudava a esclarecer, uma coisa que me fortificava entendeu? Me engrandecia, eu me sentia mais soberano, mais adulto entendeu, e eu me fortalecia em cima daquilo, mas eu não punha aquilo na cabeça, porque parece que o mato era uma coisa mesmo da terra, que já é de natureza dele, se torna uma coisa dele, rejuvenescer, uma coisa de, sabe, deixar o cérebro mais tranqüilo, começa a pensar com mais calma, sabe, por outros lado não, tem pessoas que tem a mente mais agressiva, já passa logo pra agressão, aí tu tem que saber usar pra não passar pra esse lado, certo?" (W, masculino, 45a).

"Não, a pedra é 5, a maconha é 5, não sei porque quando uma pessoa começa a usar maconha nunca está satisfeita com aquilo, igual eu fumava entendeu, eu falava que maconha não é droga, você fuma todos os dias, aquilo nem te acontece nada, aí a pessoa passa para uma coisa mais avançada, aí começa a comprar pedra e misturar com a maconha, aí vai, aí disso já passa para outra e para outra, entendeu? Mas quem começa com a maconha, eu comecei a fumar maconha, depois eu fui, eu já fumei mesclado, agora eu quero parar, eu quero, mas quem começa é assim, nunca está satisfeita, acha que aquilo é muito pouco, eu se eu fumasse só maconha eu achava que era pouco" (R, feminino, 15a).

Discurso coletivo:

Conhecem heroína apenas por nome, ou reportagens na televisão. Sabem que sua forma de uso é injetável.

Expressões chaves:

" Nunca usei, não sei como que é, só sei a cor, que eu já vi pela televisão, diz que é uma droga forte, agora a maconha, a poeira já usei" (G, masculino, 25a).

"Eu já ouvi falar em livros, já li alguma coisa assim sobre heroína. Quando eu tava servindo, que heroína é mais pra anestesiar, mas assim, dentro de São Vicente eu nunca ouvi falar...Não, eu não lembro bem, sabe porque, na época que eu estudava em Santa Catarina, a gente falava em heroína como estudo, entende? em época de guerra, a heroína serve pra anestesiar, pra pessoa agüentar a dor daquele tiro que tomou, ser medicado e tal, mas fora isso eu nunca ouvi falar em heroína...Não tenho conhecimento, eu sei que ela era injetável, porque era pra esse sentido, pra essa finalidade, na época que eu tava nesses estudo a finalidade era de ser injetável pra poder amenizar a dor daquele paciente ali, eu só sabia que os cara usava nesse sentido" (W, masculino, 45a).

"Não, nunca vi isso aí, de escutar falar...Diz que é mais forte que o crack, escutei na televisão também, mas também eu nunca vi na minha frente, mas diz que é mais forte que o crack" (A, masculino, 35a).

"Já ouvi falar, mas diz que só lá pra fora que tem. Eu mesmo nunca vi na minha vida" (C, masculino, 40a).

Discurso coletivo:

O UDI não é bem aceito em outros grupos. Associam esta forma de uso com morte: overdose, AIDS, crimes violentos.

Expressões chaves:

"Essa eu nunca experimentei, foi a única que eu nunca experimentei, nem desejo. Tem cara que fala pra mim, tem cara que usa e fala "ah, mas tudo tem a primeira vez", eu falei "mas dessa..."...Conheci muitos colega meu, mas só que já. Isso aí tem bastante (UDI), conheci muitos colega meu, mas só que já morreram, tem até uma prima dele que trabalha aqui embaixo...Já tão tudo morto, nem existe mais, só pó. .Ah, de overdose, ou a polícia matou, briga de favela, trocaram tiro, chegaram e mataram" (G, masculino, 25a).

"Olha, se eu falar uma coisa pra você, u nem gosto de ver esse negócio de droga injetável, olha, tô banguelo, perdi a minha ponte, tô querendo tirar isso aqui, tenho medo de injeção, eu tremo, e eu vê as pessoa fazendo essas coisas, pra começar eu nem gosto de amizade com essas pessoas, tenho pavor mesmo, porque eu não tenho muita coletividade aqui mesmo em São Vicente" (V, masculino, 30a).

"É, tem a cocaína também, né, tem o baque, que é injetável, essa aí eu nunca pá, eu já cheirei né a cocaína, mas eu não gosto não, e baque eu nunca tomei também...Baque? Baque é pedra com um pouquinho, pega um papel de cocaína, joga na colher, mistura um pouquinho de água, tem uns cara que filtra, tá ligado? Com o bagulho do cigarro, aquele bagulho do cigarro, o filtro do cigarro, os cara coloca dentro e filtra, mas tem uns que filtra, coloca na seringa e... O baque é mais forte, o baque já vai direto pro coração, tá ligado, pro coração e pro cérebro, na mesma hora que tu já toma, na mesma hora já pega... Eu conheço uns cara, mas a maioria já morreu tudo...Uns amigo da minha mãe morreram de AIDS, outros de overdose, mas eu não conheço muitos cara que usa assim. Agora, ...os que eu conheço, tá tudo ruim" (L, masculino, 19a).

"Já vi por filme, assim, Cristiane F., drogada, prostituída, eu já vi esse filme, ela se drogava, né, ela colocava uma agulhinha aqui nessa veia, mas eu nunca tive coragem de fazer isso não. Eu acho que se eu vê uma pessoa fazendo isso, se for meu amigo, eu vou fazer de tudo pra não deixar, né, porque sei lá, eu não tenho vontade de conhecer todas as droga, se eu pudesse, se eu pudesse não, eu posso parar com isso, é que, é que a gente fuma pra se divertir, né, porque agora todo mundo tá usando... sei lá, acho que a pessoa sente vontade de sentir uma droga mais forte, né, acho que é isso, deve querer sentir uma droga mais forte, porque eu não tenho vontade de me picar não... Sei lá, pode dar overdose, eu acho, pode dá aqueles poblema que enrola a língua, qualquer tipo de poblema, dependendo da pessoa...Não, (nunca viu) se picando não, né, eu já vi muita gente falar que faz isso, mas vê não...Uns dois maluco que eu conheci quando eu tava fumando mesclado, embaixo da ponte dali da Praia Grande, ele "ah, agora eu vou me picar, que não sei o que", aí ele pegou e falou "ah, pode fazer isso aqui", aí eu falei "ah, não faz isso aqui não, faz mais pra lá, que não sei o que", ele "ah, então desculpa aí, que não sei o que", "tá bom, então vai pra lá"" (F, feminino, 14a).

"É, agora toma nos cano como os cara fazem eu nunca tomei não, eu cheguei a pegar assim na mão mas não deu coragem. Eu tenho medo de agulha e foi até Deus mesmo. Foi bom porque eu tive um cunhado com 30 anos que pegou AIDS, e perdeu um baita morenão, forte, bonito, perdido, dois anos atrás convivi com ele até o último dia, eu vi como é que é. Então a única que eu... cheguei a ter na mão assim prontinha "vai aí" e eu "não, não"" (C, masculino, 40a).

Discurso coletivo:

A maconha custa entre 5 a 10 reais. A cocaína, 10 reais, e o crack varia entre 5 e 10 reais, de acordo com o tamanho da pedra.

Expressões chaves:

" Tem pedra de 10, de 5, tem fumo de 10 e de 5, o papel é só de 10, que é a cocaína, só de 10" (L, masculino, 19a).

Discurso coletivo:

Quanto a qualidade da droga, a cocaína é a mais manipulada, sendo sua qualidade péssima para o consumo.

Expressões chaves:

" Cada dia que passa é mais mistura, cada ano é menas droga e mais mistura que eles coloca, então destrói mais, né maluco... (Misturam) Pra ganhar mais lucro no dinheiro, sobrar mais droga e ganhar. Tu pega 5 gramas de pedra, farinha, tu mistura ela com bicarbonato, aí vira umas 10 gramas, aí dá pra fazer mais, ela vai ficar mais fraca, mas vai fazer mais, vai dar mais dinheiro...percebe, mas vai fazer o que, tá viciado, ele vai querer comprar mais...Não troca, não troca, já era, perdeu, já era, tem que usar aquela fraca e se não gostou, não pega mais lá, tem que pegar com outro cara, onde tá vendendo uma melhor...mas se as vezes, como tá hoje, aí todo lugar tá tudo misturado, tem que pegar no mesmo cara...Bicarbonato, comprimido, na poeira, né, agora a pedra não dá muito para misturar não, a pedra é pedra mesmo, e o fumo eles colocam, tá ligado, uns mato, sei lá o que que é, fumo também não mistura muito, entendeu? É só a cocaína, a cocaína é muito misturada, quem cheira hoje em dia, cheira mais mistura" (L, masculino, 19a).

"Olha, em São Vicente e acho que no Brasil inteiro, não tem mais qualidade boa, todo mundo tá fabricando em tudo quanto é ponto, isso já não vem mais como eles faziam, aqueles extratos de países de fora, isso já, só vem só a massa e nego aqui faz a cocaína, e aí faz do jeito que eles querem, pra ganhar peso, pra ganhar quantidade, e aí é aonde você acaba dançando...Eu não tenho conhecimento do que pode ser misturado, mas eu já ouvi falar, ouvi falar, diz que é soro hidrático, diz que é soro pra cachorro, não sei, soro hidrático, tem vários sabores, diz que é adicionado para o crescimento do volume...É, o pó de vidro já é uma coisa que os cara coloca naquela de aumentar a quantidade, mas não sabe que vai prejudicar o próximo, então ele tá sendo praticamente um assassino, tá matando os outros sabendo que o cara vai se dar mal, e o cara que compra aquele negócio enroladinho, não sabe que tá levando gato por lebre" (W, masculino, 45a).

Idéia central:

O traficante é alguém conhecido na comunidade em que atua, e em geral não consome o produto de seu trabalho.

Expressão chave:

"A maioria é daqui mesmo, a maioria é daqui, cada um trafica na sua área, né, cada um trafica onde mora...Não, trabalhar não trabalham, o trabalho é o tráfico...É, tipo um trabalho, ganha dinheiro, tipo um trabalho...Ah, ganha um dinheirinho legal, tipo assim, uma semana, umas oito perna...Oitocentos mango, um conto, uma semana, depende, varia...Ah, vê tanto dinheiro que não consegue, vicia, o traficante também é viciado em vender, ele vê muito dinheiro, ele não consegue mais parar de vender o bagulho... O traficante não usa. Todo traficante que usa, não dura muito traficando, ele cai...porque ele acaba usando o bagulho dele todo mano, ele vende, mas aí ele começa a usar o lucro dele, depois ele começa a usar o lucro dele e o do cara, né, que ele vai ter que dar dinheiro pro cara, aí depois ele acaba se ferrando...tem que parar de vender...Parar de vender, porque ele tá usando, aí ele vira usuário só, pára de vender" (L, masculino, 19a).

Discurso coletivo:

Quem distribui a droga para os traficantes são pessoas de altos escalões, muitas vezes envolvidos com política, a polícia, e são inacessíveis aos usuários. Também podem ser considerados responsáveis pelo consumo.

Expressões chaves:

"Eu acho que isso aí deve ser conexão de pessoas grandes com pesos do outro lado lá do exterior, e essas conexões fazem com que o produto acabe chegando aqui, e isso aí é pesos de grande escalão, porque não é eu, um pequenininho que vou ter contato com a pessoa dessa daí lá fora, porque quem sou eu pra ser, né, então isso aí já vem de pesos grandes... Pessoas grande que eu digo é deputado, esses cara que tem essa facilidade..., senadores, esses cara que tem facilidade, entendeu, pra fazer esse tipo de contato, porque pra eles não pega nada, tudo que eles fazem é acobertado, até que um dia é descoberto, porque alguém pisou na bola e fez a caguetagem toda, que nem aconteceu com esse naia, mas pô, quando se trata de ter algum tipo de conexão eu acho que a pessoa deve ser dessas parte aí...Logicamente que ele vai ter um outro subordinado abaixo dele que já faz essa repassagem...É justamente, se pegar ele, ele não vai segurar, ele vai justamente entregar na mão de uma pessoa de confiança pra trabalhar pra ele, ele vai receber o dele e o cara vai fazer o despacho, levar pra onde ele acha que deve levar, fazer as divisões, pra poder a droga ser consumida, aí acaba caindo na mão de uma criança dessa, entendeu, a criança começa a roubar pra poder adquirir aquela droga que veio com a maior facilidade, entendeu? Eu acho que para evitar essas drogas aí, evitar o consumo, acho que tem que começar...pelos grandes, evitar que deixassem passar a droga de fora pra dentro, entendeu? Se ela passa de lá pra cá, não tem como evitar que ela chega na mão do pequeno, o pequeno vai querer consumir, por que ele pagou, aí coitado do pequeno que vive apanhando na rua..., a polícia batendo na cara desses moleques... O usuário não tem culpa porque pára na mão deles uma coisa que não era prá tá aqui no país. Como é que foi parar na mão deles?" (W, masculino, 45a).

"Não acaba, porque tem gente poderosa por trás disso, até as autoridade aqui de São Vicente, eu conheço uns delegado, daí eles falam "isso aí eu não quero acabar". Os grandão sabe que entra muito dinheiro, vai pra cadeia os pequenininhos, os fraquinho...Não, porque o narcotráfico, né, as droga, a carga, quer dizer que é mais fraquinha, fica vendendo pra ganhar pouco, enquanto os bonitão fica só dentro de casa...É de altos nível, pessoal que fica naqueles carrão, com metralhadora, eu conheço muita gente assim, eles vem do cais, pega, até policiais envolvidos também, entra até na cadeia, na delegacia, não sei como a droga entra, por causa de carcereiro, em troca de dinheiro" (G, masculino, 25a).

Discurso coletivo:

A cocaína pode vir do exterior, o outras drogas, como o crack e a maconha, de dentro do país.

Expressões chaves:

" A pedra é um mal que veio de São Paulo pra cá" (G, masculino, 25a).

"Eu acredito que é de fora, a maconha eu sei que é daqui do Brasil, que aqui pro lado do norte devem trazer pra cá, agora a cocaína não, é da Bolívia, Corumbá, Mato Grosso" (G, masculino, 25a).

"(A cocaína) da Bolívia, Paraguai...Não todas as drogas, que nem a maconha já vem, tipo, interior assim, onde tem mais mato, esses bagulho, a maconha vem desses lugar, Mato Grosso" (L, masculino, 19a).


Tema 3- AIDS e Drogas

Discurso coletivo:

As associações feitas para a transmissão do vírus da AIDS são pelo uso de droga injetável e relações sexuais.

Expressões chaves:

"Droga, AIDS, são co-irmãs, porque uma pessoa drogada, se ela tiver uma doença, e tiver uma relação sexual com alguma pessoa, logicamente que ela vai ultrapassar aquela doença, se a pessoa tiver os anticorpos desprotegidos logicamente vai receber a doença, seja ela o tipo que for, pode ser uma AIDS, como pode ser qualquer tipo de doença venérea, entendeu, eu acho que a doença já começa a ter uma participação pela própria droga, a droga é o caminho...Porque se você tomar droga injetável com a mesma agulha de um outro parceiro você pega AIDS...Injetável pega, porque se você, uma hipótese, tiver cinco pessoas usando só numa agulha, você vai pegar AIDS porque você não sabe da minha saúde e nem eu sei da sua, eu não sei a saúde dos pessoal, entendeu" (A, masculino, 35a).

"A seringa é quando um toma e passa pro outro e o outro toma, aí se aquele tiver já contamina o outro" (G, masculino, 25a).

"Uma forma muito popular, e a gente acha que é o modo mais fácil é através das seringas, entendeu, através das seringas eu acho que é mais fácil a pessoa adquirir AIDS, porque, a não ser que ele tire a agulha e coloque agulha nova e dá pro outro, não adiantou nada, porque a seringa em si não está esterilizada, então se ele tiver que adquirir, ele vai adquirir" (W, masculino, 45a).

Discurso coletivo:

Conhecem os métodos de prevenção da AIDS, mas principalmente sob efeito da droga não o fazem.

Expressões chaves:

"Você veja bem que uma pessoa drogada, uma pessoa drogada, ela não pensa, não raciocina o que vai fazer, e o que faz, faz sem nenhum pensamento que vai prejudicar ou não, entendeu. Na loucura, acaba até deixando de usar camisinha, prejudicando aquela parceira, que na loucura também, acaba aceitando. Talvez ela esteje doente, e aí os dois vão acabar ficando doente, se um já tava o outro também vai ficar, entendeu?...Olha eu vou dizer pra você, por mim, eu por mim, que eu uso a maconha, mas mesmo assim eu sou um cara prevenido, apesar de ser casado, mesmo se eu que tenho uma relação, pode ser com quem for, eu uso camisinha, mas eu não sei, eu acho que não é todos que faz isso não, não é todos que usa droga que vai usar camisinha, tem muitos aí que não tão nem aí, naquela loucura, ás vezes até faz, de caso pensado, como eu já conheci amigos meus, que trabalharam até comigo, adquiriu isso de uma mulher" (W, masculino, 45a).

"Tem que usar camisinha, seringa só seringa limpa, tá ligado? Seringa assim comprar direto na farmácia, só isso aí mesmo...Na hora nem pensa (em prevenção), pensar até pensa, mas não tá nem aí...pensa, mas não sei, não usa as conclusões, tá ligado, faz do mesmo jeito...porque todo mundo tá louco, né, ele tá doidão, aí o cara faz o bagulho, depois no dia seguinte se arrepende, mas aí já usa de novo e esquece, e assim vai indo" (L, masculino, 19a).

"As vezes sabe, né mas o usuário da droga, quando, exemplo, os cara que injetam como eles estão usando, eles não sabe com que seringa que está, entendeu, aí o outro não sabe aí começa pegando, eles não querem saber se a seringa é descartável, eles querem saber da droga. A droga está dentro da seringa, aí eles não querem saber se a seringa é descartável... na hora não lembra de nada, fecha a mente, dá um branco" (C, masculino, 19a).

"Olha, do jeito que tá, eu tenho até medo de fazer sexo, que nem, eu já tive sexo assim, uns tempo que eu andava meio drogado, eu até penso, tem umas personagens que morreram, mas eu até hoje eu me sinto seguro, firme, graças a Deus eu não sinto nada, mas eu não usei camisinha, tá entendendo...Não é porque eu não sabia, sabe, na hora da loucura às vezes não pensa, tem vez que não tem vontade de por...Ah, sei lá, geralmente, se ela faz amor, a hora que já tá drogado, eu acho que tanto faz, parte dos dois, que falam assim "ah, eu na quero usar isso daí", ela aceita, ou ele aceita, tem vez que ele na mesma hora fala "ah, então se não for assim eu não quero" ou ela fala "ah, se não for assim eu não quero"...Ali tem o negócio dos dois, né, ali vai os dois, do parceiro, que às vezes um pode até querer, "ah, põe a camisinha", e tem vez que ele não quer" (V, masculino, 30a).

Discurso coletivo:

Não há informação sobre AIDS e forma de transmissão, ou ainda, as informações que possuem são incorretas.

Expressões chaves:

"Eu não sei como pega AIDS, mas tenho muito medo de pegar...(Mas você sabe o que é AIDS?) Não... (Como pega?) Não" (F, feminino, 14a).

"A AIDS eu acho que pega através da seringa, cheirar também, porque se o nariz tiver um corte ou alguma coisa, o outro pega e cheira e o sangue entra dentro, aí passa pro outro" (G, masculino, 25a).

"Porque meus colega já falaram que usando droga, parece que fica com, esqueci o nome...Tuberculose, isso, um colega meu morreu assim, de tanto ele fumar pedra, diz que transmite doença... Se a pessoa ficar usando (crack) muito tempo, começar e não parar mais...ela fica com a doença, né, depois morre" (R, feminino, 13a).

"Tem muito travesti que tem dinheiro, né, aí o travesti dá dinheiro, tem gente que não recusa não, aí o travesti não sabe se o cara tá com a doença, o cara por causa da droga às vezes pega a doença por causa disso, o cara já pensando na droga, o travesti oferece "dou tanto pra você fazer isso", e isso aí o cara pega e vai, entendeu, porque tem muito travesti, mas é mais moleque novo, chama mais os moleque novo, os cara velho eles não chama não" (C, masculino, 19a).

"Que eu vejo, eu sou meio caipira, acho que você repara até no meu modo de eu falar, mas já vi, que nem, vamo supor, bocal, dente cariado, né, vamo supor, sem a camisinha, por exemplo, se não for descartável a seringa, um usar do outro, né, pode pegar" (V, masculino, 30a).

"Não só injetável não, pega naquele, na colombiana também pega, que te falei que é o cigarro, aquilo também pega, porque passa pelas pessoas e de repente corta o dedo porque isso daí come o dedo de melado e tem que passar no cigarro, por causa da cocaína. A cocaína come ela toda por dentro, aí fica um escurinho no dedo e às vezes sai sangue do meu dedo, mas eu usei sozinho, aí de repente faz um escurinho no dedo, sai sangue aí a pessoa vai passar no cigarro lá também, ás vezes quando o pó acaba...aí sai todo mundo com AIDS. Aí a heroína colombiana corta o meu dedo, aí sai sangue,... passo no cigarro, aí o meu amigo pede um pouco que sobrou e o não vai saber, né, que eu tava com o dedo cortado e saiu sangue ali...aí ele vai colocar na boca o resto, de repente tem um restinho de sangue alí e pega AIDS, mas nunca soube que teve alguém com AIDS assim, na minha rua e ali perto de onde eu moro nunca soube não, na favela tem um cara que pegou AIDS assim" (G, masculino, 19a).

Idéia central:

Linha de discurso moralista quanto aos métodos de prevenção da AIDS.

Expressões chaves:

"Para prevenir, acho que não usando drogas, né, que isso não é vida prá ninguém, ficar usando drogas, não ganha nada" (R, feminino, 13a).

"Você manter relações com uma pessoa...Porque se você, porque nego fala que sexo é viver, sexo não é viver, sexo se chama prazer, com uma pessoa que você gosta, que você ama, você sabe que você vão ter um sexo, não porque você vai satisfazer você mesmo, você não gosta daquela pessoa, só porque eu quero sair com aquela pessoa eu vou transando com ela? Eu acho que se previne nisso aí...Não só uma forma de prevenir, como você também tem que respeitar essa pessoa também, que você tá vivendo com ela...Não trair ela, porque se eu tenho uma namorada, que eu tô com ela há um bocado de tempo, ou uma esposa, acho que você tem que viver com ela, não dividir o meu amor com outra pessoa...Nem todas tem (consciência), poucas tem, no mundo que nós tamo vivendo hoje, entendeu? Muitos não pensam em você mesmo, porque se você for casado, o teu marido tem um erro, tem muitas pesos que não vai tentar corrigir o erro de seu marido, vai querer prejudicar mais ele, principalmente a mulher, "meu marido me colocou um chifre em mim e eu também vou colocar", isso eu acho errado, as pessoa deve ajudar as pessoa, eu penso dessa maneira" (A, masculino, 35a).

Discurso coletivo:

Há um grande desconhecimento em relação a outras DST. Não é claro quais são as doenças e método de prevenção.

Expressões chaves:

"Olha, eu não sei falar muito a geografia legal, eu já ouvi falar, que nem essa gonorréia mesmo, é uma doença que tem vários tipos dela, né. Que é transmissível, qual é a outra, é que são uns nome esquisito...eu nem vou falar pra você que você nem vai entender, porque falam que é outra linguagem. Um outro que dá verrugas no membro da pessoa, eu conheço por Cavalo de Cristo, eu não sei se é isso daí, tem umas doença que são tudo, tão no sexo, são umas par delas que eu já ouvi falar, mas através de outros nomes ,né... (Para evitar) Agora, depois que saiu a camisinha, é evitando, é usando a camisinha...É, porque na minha época não existia essa camisinha, que nem, eu conheci, eu tive vários amigos que pegou esse tipo de doença, mas na época não existia , né...Essas doenças tem jeito de curar, indo em postos de vacinação, postos de saúde, indo no médico...o cara pode ficar tuberculoso e perder o membro, a vagina, o que seje" (V, masculino, 30a).

"É, já escutei uma outra aí ...é que agora eu esqueci o nome de umas doenças, mas na escola eu aprendi isso aí, é que eu esqueci...Pega, né, através das relações... (Para prevenir) Aí, dependendo da doença tem que tomar as devidas, como é que se fala mesmo?...É, tem que tomar as devidas precauções...Ah, aí eu não sei não, depende, depende da doença, cada doença é um negócio diferente" (L, masculino, 19a).

Idéia Central:

As DST foram superadas pela AIDS, ou ainda, são doenças da classe baixa.

Expressões chaves:

"(DSTs) Tem muitas...Que. eu saiba é esse negócio de AIDS...Que. eu saiba é só essa aí, todo mundo comenta no Brasil esse negócio de AIDS, esse comentário" (G, masculino, 25a).

"É, eu ouvi falar em blemorragia, que é a gonorréia, cancro duro, cancro mole, sífilis, sifilíticas, eu já ouvi falar nisso tudo, e eu acho que até, inclusive hoje em dia, já não se fala mais nelas, a doença que mais se fala é a AIDS, mas eu acho que a AIDS é tudo, AIDS é tudo, superou elas, então é por isso que não se fala mais nelas, porque a perigosa está nela, porque as outras ainda tem cura, entendeu, as outras eu acho que tem cura, se bem que se todos tivessem pego uma blemorragia, entendeu, um cancro, em vez de pegar AIDS, dificilmente você se cura, agora você pegar um cancro, uma blemorragia você tem condições de sobreviver" (W, masculino, 45a).

" Não tá tendo relações com todo mundo, não sair, que quem tem mais, se tiver gonorréia é mais maloqueiro, porque se a pessoa que for pensar um pouco, sabe que qualquer pessoa que sair tanto com homem como mulher, vai pegar qualquer tipo de doença" (A, masculino, 35a).

Idéia central:

Não sabem onde e como é feito o teste de AIDS, e acham ser desnecessário haver um serviço para uma doença incurável.

Expressões chaves:

" (Local para tratamento d AIDS) eu acho que não tem porque não tem cura... eu acho que não adianta...(Local para fazer o teste)... tem nos hospitais dá pra fazer, com a urina" (R, feminino, 13a).

"Ah, teste em hospital você faz, né, São José você faz, porque é INPS, na Ana Costa já é particular e em Santos. Aqui que eu saiba são esses lugar" (A, masculino, 35a).

Discurso coletivo:

Não conhecem os serviços de tratamento para AIDS e drogas em São Vicente. A referência, quando há, está sempre fora do município.

Expressões chaves:

Para drogas:

" Aqui em São Vicente eu acho que não mano, só em São Paulo aí já tem que logo se internar" (L, masculino, 19a).

"Tem, lógico que tem...Eu não sei o nome, mas eu sei um lugar, onde que levaram o meu amigo, e ele se curou dessas drogas, que ele, tipo, a gente que tem que ir, né, se a gente quiser ir, as nossa mãe leva a gente, a gente vamo ser tratado lá, eu não sei o tratamento qual que é, mas acho que dá resultado, porque um amigo meu foi e hoje em dia ele parou com tudo mesmo, ele era viciado na pedra, pedra é uma química forte, né, uma droga forte, é insuportável assim, acabar com o vício, e foi o que ele fez, né, ele e o irmão dele tava no bagulho da droga, e foi indo, graças a deus a mãe dele levou ele nisso, ele aceitou, que só quem quer, e ele conseguiu parar, ele parou com a droga, agora ficou na maconha, mas pedra ele rejeita" (F, feminino, 14a).

"Olha, eu tava ouvindo outro dia no rádio, a casa do alcoólico anônimo, ele falou o nome da rua, mas eu não lembro...Aqui em São Vicente mesmo, inclusive eu tava pensando até de ir uma hora, dá uma volta por lá" (V, masculino, 30a).

Para AIDS:

"Eu não sei não, porque eu mesmo pra fazer o teste eu fui lá no Guilherme Álvaro, eu fui lá, tem um laboratório ao lado, eu fiz o exame lá, pra mim ter certeza que eu estava ileso com isso aí, porque a gente fica preocupado e fica despreocupado ao mesmo tempo. Preocupado até sair o resultado, e quando o resultado vem tu dá graças a deus, levanta a mão pro céu e começa a se proteger daí pra frente, porque daí pra lá não vai pegar mais nada, então eu fiz esse teste lá, mas se eu soubesse que tinha aqui em São Vicente também não teria ido lá... não sei e nem ouvi falar que tivesse" (W, masculino, 45a).

"Olha, eu não conheci ainda não...(Se perguntassem onde fazer um tratamento) Eu pediria assim pra ele arruma, que nem eu, tô vindo aqui, certo, pedir uma informação aqui, ou então lá perto do INPS onde eu fui lá. Aí então a pessoa dá pra ela o encaminhamento" (C, masculino, 38a).

"De aidético aqui não...Que eu conheço não, o único hospital que eu conheço é o Guilherme Álvaro em Santos, aqui em São Vicente não tem nenhum...Ela (a pessoa) vai procurar um hospital, no São José, depois vai ser transferida pro Guilherme Álvaro, porque aqui não tem" (A, masculino, 35a).

"Eu acho que não tem (lugar para tratamento de AIDS em São Vicente) porque não tem cura...Eu acho que não adianta ter" (R, feminino, 13a).


Tema 4 - Projetos de Redução de Danos e Associação de Usuários de Drogas

Idéia central:

Em relação ao programa de Troca de Seringas, apenas um entrevistado mencionou ter algum conhecimento sobre o projeto.

Expressão chave:

" Antigamente, eu não sei, falaram que distribuíam seringas descartáveis aqui em São Vicente, não distribuíam então, o cara falou que não adiantava nada não, mas sei lá, mais pra muita gente adianta, né, cada uma comprando sua droga, né, mas também os cara compra e usa do outro, entendeu...O cara falou porque já tava com a doença, ele suspeita que o filho mais novo tá, tem 10 anos, por isso que o cara é revoltado também" (C, masculino, 19a).

Discurso coletivo:

Os entrevistados desconhecem o programa de Troca de Seringas. As opiniões se dividem entre o incentivo ao uso de droga e a prevenção da AIDS.

Expressões chaves:

" Isso aí sei lá, é um negócio que eu não sei, é porque quem tem seus vícios tem que comprar, né, comprar logo e usar, já que é viciado, é por isso que o governo tá distribuindo, só que eu acho que é uma coisa errada, o governo fazer isso aí, porque ele tá incentivando as pessoas a usar droga, quer dizer, tá distribuindo seringa pro pessoal usar, quem é viciado...Pra mim, eu acho que incentiva, você não acha? Isso aí, pô, isso aí tá dando o exemplo pro pessoal usar, então quer dizer, você vai chegar no posto e pegar seringa" (G, masculino, 25a).

"Aí você tá dando mais seringa pro cara usar, a pessoa usar, não é, pô, se a pessoa quer ajudar a pessoa, você fala "pô, não usa mais", você também não vai dar mais seringa pra ele usar, agora você tá trocando a seringa que ele usa e dando uma nova, ele vai usar aquilo sempre, porque você tá dando seringa nova...Eu acho que não é legal isso aí não, que a pessoa vai ficar sempre viciada nisso aí...vai incentivar mais ainda, porque tá com seringa nova, se ele não tiver dinheiro pra comprar seringa ele não vai usar, não é verdade? E uma coisa, se eu tiver dinheiro, se a senhora tá me tirando desse negócio de droga, certo, aí a senhora fala "eu vou arrumar um serviço pra você", aí a senhora me incentiva, "ah, você quer usar droga pras trabalhar mais a vontade?", que é isso? A senhora não tá me ajudando, tá me prejudicando cada vez mais" (A, masculino, 35a).

"Ah, sei lá, é bom, pelo menos não vai morrer de AIDS, ou vai diminuir a AIDS, é bom, mas eu nunca ouvi falar nesse bagulho não" (L, masculino, 19a).

"Ah, eu acho, eu entendi, eu acho até que é viável essa modalidade aí pelo seguinte, tu tá fazendo com que ele não use aquela seringa novamente, entendeu, porque ali ela pode tá contaminada, até com o próprio germe do ar mesmo, qualquer coisa assim, entendeu?, dela não ter sido esterilizada, o cara na loucura, ele vai usar aquela seringa, ele não tem outra, ele vai usar aquela, entende. Eu acho que até se ele achar uma outra no chão ele usa, entendeu? Na hora da nóia dele, que chama nóia, mas eu acho que fazendo a troca de uma nova e pegando aquela velha, eu acho que ele tem mais é que agradecer a Deus, que ele não vai aumentar a doença dele, senão ele pode até aumentar mais doença do que ele já tem" (W, masculino, 45a).

"É bom porque evita doenças...O HIV, que pega nas trocas de seringas. Uma pessoa que tem o HIV e outra que não tem evita, né, porque duas pessoas vai lá, tem a seringa usada que eles mesmo usam, mais cada uma usa a sua, vai lá, troca e pega a nova. melhor, evita né. por exemplo eu uso, o moleque vai , dá pra mim, ele tem heroína, só que ele vende e não dá a seringa, seringa tem que arrumar, por exemplo, eu uso, dou a seringa usada pra ele usar e pega a seringa usada e troca, isso seria bom. Eu acho que os moleques da minha rua não sabem disso não, porque eles pegam as usadas dos colegas mesmo. Eu acho que é duas seringas para quinze, vai ficar a noite inteira usando, eles usam de hora em hora...eles usam umas 30 seringas, que dá pra fazer umas 3 dozes cada seringa, eles usam bastante droga, acho que dá para fazer o que, umas 45 doses eles usam, eles não dormem não. Às vezes que eu chego da praia, quando eu passo eu vejo eles lá na rua, tá tudo na rua eles, quantos eles vendem eles usam, só que eles pedem para o cara vender, só que o cara usa tudo, vai pra casa dele e só fica os cara lá, quando o cara tem que pagar dinheiro, eles usam as deles. No começo deixa a do cara lá, mas depois não pode pegar mais por causa do cara, e para roubar eles mesmos roubam pra repor o dinheiro que eles usaram, e fica naquilo mesmo" (G, masculino, 19a).

Idéia central:

A Associação de Usuários de Droga é vista sob o aspecto da discriminação ao usuário, e pelo próprio usuário, mostrando que esta união não teria força suficiente para se manter.

Expressão chave:

"Os cara que usa droga não tem muito valor Quem é usuário não vai ter o valor da pessoa que não é usuário" (L, masculino, 19a).

Discurso coletivo:

A Associação de Usuários de droga pode ser entendida como forma de incentivo ao uso, ou um local para tratamento de usuários.

Expressões chaves:

"Eu acho que se criar essa associação dessa maneira, então não tão querendo acabar com a droga, porque aquele menor que tá ali começando, se ele não pode fazer aquilo, ele vai fazer tudo pra ficar usando lá, se ele tem essa liberação, esse sossego todo, criaram um espaço para ele ali, ele nem vai ficar correndo mais atrás, ele vai ficar num lugar tranqüilo, usando, então jamais ele vai deixar de usar, então vai tá sempre tendo os menores usando, então eu acho que é como aconteceu na Holanda, se criaram um local pra esse tipo de coisa, pra fumar, então eles não vão querer acabar com os traficantes, nem querer acabar com a droga, porque tá simplesmente alimentando os cara, se o país aqui liberar a maconha, pô, daqui a pouco os bares tão vendendo maço de cigarro de maconha, e você então vai tá fumando maconha em qualquer ponto" (W, masculino, 45a).

"Uma associação pra se drogar? Eu acho que , sei lá, é furado, né?...Não vale isso daí, associação pra se drogar...Ah, isso aí não vira nada, só vai levar o país mais lá pro fundo da terra" ( V, masculino, 30a).

"Essa idéia é boa, se chegasse a prefeitura e fosse pegar emprego de 10 maiores, chegassem nas casas e entregassem papelzinhos, assim cada família assinala pra fazer uma clínica num lugar, num terreno, pra isso seria bom... Como se fosse que você tá falando, numa reunião, fazer como se diz, um clube, sei lá, pega um clube, reforma um clube, d4eixa maior o clube, que nem tem o Beira-mar, que pegasse o Beira-mar a base, e fazer tipo uma clínica, colocar lá todo sábado ou toda sexta uma reunião de drogados, assim seria bom, mas não tem, e eu não sei onde fica esses negócios aí não" (G, masculino, 19a).

"Eu achava que devia fazer um negócio desse mesmo aí, fazer tipo uma comunidade, e reunir as pessoas que usa droga, pra tirar desse vício, eu acho uma boa idéia...(Após maiores esclarecimentos) Que é isso, eu acho errado, né, eu acho que isso aí não é vantagem pra ninguém, o que é isso! Aí daqui a pouco vai montar tipo um sindicato sobre negócio de drogado, vai ter sindicato quando nascer as criancinhas de 4 ou 5 anos, vai tá usando isso daí também, eu acho que não tem nada a ver...Isso aí prejudica em tudo, acho que a pessoa nunca pode fazer isso aí, poderia se fazer o seguinte, fazer tipo uma comunidade pra tirar os drogados desse vício, não fazer uma comunidade pra vim droga melhor, quer dizer, aí já tá liberado, tá tipo nos bailes " (A, masculino, 35a).

UD

9 homens

3 mulheres

Idades:

13 = 1

14 = 1

15 = 1

19 = 3

25 = 1

30 = 1

35 = 1

38 = 1

40 = 1

45 = 1

Escolaridade:

1º grau completo = 6
1º grau incompleto = 5
2º grau incompleto = 1

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