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Relatórios Referentes a Pesquisa de Diagnóstico Rápido e Pronta Resposta Aplicada na Cidade de São Vicente em 1998, como Parte do Estudo Multicêntrico de HIV/AIDS entre Usuários de Drogas Injetáveis da OMS - Fase II.

Relatório de Dados Pré Existentes da Pesquisa de Diagnóstico Rápido e Pronta Resposta em São Vicente

Os pesquisadores, com o objetivo de levantar dados existentes para a pesquisa de Diagnóstico Rápido e Pronta Resposta em São Vicente, realizaram visitas em instituições que de alguma forma estivessem relacionadas com questões referentes a drogas, dentro do período de março/96 a março/98. Esta metodologia consiste em um levantamento epidemiológico de todo tipo de dado que já esteja disponível e que possa contribuir para formar um quadro completo da situação em estudo.

As instituições visitadas foram:

Jornal A Tribuna: principal órgão de imprensa escrita da região da Baixada Santista.

Endereço: Rua General Câmara, 129 - Centro - Santos - SP.

As visitas iniciadas por este órgão de imprensa, deram-se em 17/04/98 e 20/04/98. A consulta nos jornais limitava-se a encontrar qualquer notícia referente a drogas, nos cadernos intitulados "Regional", que noticia matérias referentes aos acontecimentos dos outros municípios da Baixada Santista que não Santos (onde se incluem notícias de São Vicente), e no caderno "Policial". O período pesquisado, incluiu o período de março de 1996 à março de 1998 - dois anos portanto.

As notícias, em sua grande maioria, foram encontradas no caderno "Policial" (85,48%), referindo-se a acidentes ou crimes envolvendo drogas, violência relacionada ao pagamento de dívidas de drogas, apreensões. Com base na análise deste material levantado, encontra-se no sexo masculino o maior número de notícias de pessoas envolvidas com droga, seja por crime, uso, tráfico ou vítimas da violência, na faixa etária de 18 a 25 anos. O número de mulheres envolvidas é menor, aparecendo sua maior incidência na idade superior à 33 anos.

Aparecem noticiados, principalmente os bairros Parque Bitarú, Catarina de Moraes, Vila Margarida, México-70 (nesta ordem), dentre outros, como locais onde ocorrem o maior número de apreensões de drogas. Já a maior incidência de crimes, seguido de morte, aparece, principalmente, no Dique das Caxetas, México-70, Catarina de Moraes, Humaitá (nesta ordem), dentre outros. As vítimas encontram-se entre 18 a 25 anos. Também há notícias de pessoas assassinadas por atrapalharem o tráfico, sendo estas ocorrências mais freqüentes nos bairros Dique das Caxetas, Cidade Náutica e Catarina de Moraes. Estes bairros são todos periféricos na Cidade de São Vicente, onde habitam sobretudo famílias de baixa renda.

As drogas mais apreendidas e noticiadas são (nesta ordem): crack, maconha e cocaína. Em relação a quantidade, são (pela ordem): maconha, cocaína e crack. A maior quantidade de droga apreendida no período de dois anos totalizou 61 Kg de maconha, e foi atribuída a um ex-sargento da Polícia Militar. Também há noticias de apreensões de drogas que estavam sendo levadas para a cadeia por parentes ou amigos dos detentos, e capturadas durante a revista.

Em dezembro/97, foi noticiado um caso de morte por suspeita de overdose, ocorrendo numa pessoa do sexo masculino, 24 anos, encontrado morto dentro de um carro no bairro Parque Bitarú, em São Vicente. Este é o único registro na "Tribuna" sobre overdose nestes dois anos.

No caderno "Regional" foram encontradas 14,52% das notícias, referentes a dados estatísticos na relação AIDS/drogas, polêmica da distribuição de seringas, iniciativas no tratamento, prevenção e seminários que englobavam os temas AIDS e drogas, insegurança da população em relação ao tráfico (bairro específico), e pesquisa sobre drogas em população de rua.

Entre março/96 a março/97, foram veiculadas três matérias; entre abril/97 a março/98, 15. Aparecem em maior número, nesta ordem, matérias referentes a iniciativa no tratamento a usuários de drogas, prevenção e seminários (44,44%), polêmica da distribuição de seringas (27,78%), dados estatísticos sobre AIDS e drogas (16,67%), insegurança quanto ao tráfico e pesquisa em moradores de rua (11,11%).

Espaço Reviver: funciona há aproximadamente três anos, propondo-se à recuperação de dependentes de álcool e drogas, com a proposta de internação e abstinência. Embora localizada em Santos, atende a demanda da Baixada Santista e de outras regiões e Estados, de ambos os sexos, à partir de 12 anos de idade.

Endereço: Rua Carvalho de Mendonça, 190 - Vila Mathias - Santos -SP.

Em visita, o diretor da casa apresentou dados que foram levantados por uma socióloga, utilizados para palestras em outras instituições. Estas palestras tinham como objetivos apresentar o trabalho e prevenir o uso de drogas (sic). Os dados referiam-se à usuários de drogas em tratamento no ano de 1996 da Casa de Oração São Francisco de Assis (Rua República Portuguesa, 25 - Santos - SP), que não tem relação formal com o Espaço Reviver. Há no entanto em comum entre as duas instituições os mesmos objetivos, a proposta de tratamento aos usuário de drogas, bem como o mesmo diretor.

Os dados mostram que 19% dos internados residiam em São Vicente, e que a faixa etária de maior incidência dos internos era entre 18 a 25 anos. O tempo de uso relatado variava entre 1 mês a trinta anos, e a maior justificativa para o uso de drogas era o "embalo". Os internos de São Vicente residiam, em maior número, nos bairros (nesta ordem): Jóquei Clube, Cidade Náutica, e Humaitá. Boa parte da população internada não tinha o 2o. grau completo, e já haviam usado cocaína, maconha, crack, álcool, e outras não definidas nos dados existentes.

O diretor da casa informou que no final de maio/98 seriam levantados os dados referentes a 1997, e os pesquisadores poderiam ter acesso a eles. Porém, em novos contatos com a instituição, não souberam informar se este levantamento havia sido realizado ou não.

PRODEQ - Programa de Dependência Química: instituição pública, ligada à Secretaria da Saúde de São Vicente, realiza tratamento ambulatorial para dependência química, não realizando internação. Os usuários que procuram a instituição, após passarem por entrevista com a assistente social da equipe, são encaminhados para grupos, que são coordenados por consultores de dependência química, duas vezes por semana. Estes grupos tem como base de trabalho os Doze Passos nos moldes dos Alcoólicos Anônimos.

Também há atendimento médico e apoio psicológico, tanto para o usuário, como para sua família. Quando há necessidade, os usuários são encaminhados para internação no CRERES, que é uma instituição filantrópica, para tratamento de dependência química.

Endereço: Rua Ipiranga, 353 - 1º andar - Centro - São Vicente - SP.

Os pesquisadores visitaram o PRODEQ em 28/04/98, sendo recebidos pela assistente social da instituição. Ao ser indagada sobre a existência de dados, colocou que ela mesma inseriu dados no computador referentes à faixa etária dos atendidos, tipo de droga, bairro, dentre outros, mas o disquete quebrou, perdendo-se com isso todas as informações.

Sente por não ter tido mais tempo para refazer o levantamento, e gostaria de poder ter estes dados estatísticos, com a finalidade de pesquisar a população de São Vicente. Com base em alguns manuscritos e o que se lembrava dos dados perdidos, disse que o adulto utiliza mais o álcool, e o adolescente, o crack. Também há pouca procura no programa por UDIs, assim como atende poucas pessoas com HIV.

Este programa existe desde 08/04/97 e até 22/04/98 haviam sido atendidos 342 casos. A assistente social já atendeu uma pessoa que usou heroína há alguns anos, na Europa, e ao retornar para o Brasil procurou o programa. A maior população atendida é masculina e desempregada.

NAPS Mater - Núcleo de Atenção Psicossocial: instituição pública, ligada à Secretaria da Saúde de São Vicente, funciona desde maio/93, tem como objetivo atender pacientes que apresentam sofrimento de esfera psíquica e que habitualmente são encaminhados para tratamento médico de outra unidade de saúde (rede básica, ambulatórios especializados ou Pronto Socorros) ou pelo que se convencionou chamar de procura espontânea, ou seja, o próprio paciente procura ajuda.

A demanda atendida concentra-se em pacientes psicóticos e neuróticos graves. Esta instituição se mostra enquanto alternativa de substituição ao manicômio, centralizando no mesmo espaço consultas ambulatoriais, atendimento de urgência/emergência 24 horas diariamente, internação 24 horas e semi-internação (hospital- dia com pernoite em casa).

Endereço: Av. Padre Anchieta, 221 - Centro - São Vicente - SP.

Em contato com o NAPS-Mater, a coordenadora da instituição colocou que seria muito difícil a realização deste levantamento porque, apesar dos pacientes (em grande maioria) terem sido internados devido a algum envolvimento com drogas, não haviam registros nos prontuários de internação por este motivo.

A coordenadora se propôs a conversar com os médicos da instituição para verificar se ela tinha algum levantamento de dados. Posteriormente, por telefone, informou a inexistência destes.

Instituto Médico Legal: órgão do Estado, da Secretaria de Segurança Pública, englobado na Polícia Científica, realiza perícia de óbitos e lesão corporal em casos de morte violenta ou suspeita. Atende a região de Santos, São Vicente (até a área do 2o. Distrito Policial) e Cubatão.

Endereço: Av. Martins Fontes, 1215 - Saboó - Santos - SP.

Em 08/05/98, foi realizada a visita, onde o levantamento referia-se ao número de mortes por intoxicação exógena (overdose por drogas), conforme orientação do médico legista de plantão. Os pesquisadores encontraram dois registros, de pessoas do sexo feminino, que deram entrada no Hospital São José, em São Vicente. Porém, uma pessoa era natural de Santos, e a outra de Cubatão.

Um levantamento mais detalhado, poderia ter sido feito em relação à drogas associadas à causas secundárias de óbito (como assassinatos, acidentes de trânsito, etc - relacionados ao consumo de álcool e outras drogas), mas não foi este nosso propósito. Esta instituição apresenta boa qualidade de registro de informações.

Hospital São José: hospital filantrópico, que atende também pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo o maior da cidade de São Vicente, totalizando 168 leitos gerais e UTI. Este número varia conforme o mês, sendo disponibilizado sempre menos para atendimento. É um hospital geral.

Endereço: Rua Frei Gaspar, 790 - Centro - São Vicente - SP.

Houve dificuldade em levantar os dados solicitados, pois não há registros de overdose. Segundo informações lá colhidas, o Hospital não atende casos de dependência química, não recebendo o caso se isso ocorrer.

A informação da instituição é bastante precária e incompatível com a informação do IML, que atendeu dois casos de morte por overdose oriundos de um Hospital que diz que não atende estes casos.

Projeto UDI: realizado pelo Programa DST/AIDS, da Secretaria da Saúde de São Vicente (SESAU), desde outubro/95, atendendo a usuários de drogas injetáveis e seus parceiros sexuais, a princípio em bairros de maior incidência de AIDS por uso de drogas injetáveis. Seus objetivos são a prevenção da transmissão do HIV entre usuários de drogas injetáveis; capacitar UDIs como agentes multiplicadores ( pelo método de outreach workers, chamados no Brasil de Redutores de Danos); diminuir o comportamento de risco no uso de drogas injetáveis; aumentar o conhecimento sobre AIDS e DSTs; aumentar a prática de sexo seguro; orientar e referenciar UDI e UD interessados em procurar serviços de saúde/sociais para atendimento.

Endereço: Av. Antônio Emerick, 94/98 - 1º andar - sala 103 - São Vicente - SP.

Foram encontrados dados existentes do Projeto UDI, dentro do período solicitado, que foram somente atualizados para esta pesquisa. Estes dados foram fornecidos para a equipe do projeto pelos redutores de danos, mostrando que a idade de maior concentração dos UDIs (incluindo ex-UDIs e poliusuários), é a partir de 33 anos. A porcentagem de usuários em população masculina é de 78,3%, e na feminina, 21,7%. Os principais bairros onde aparece maior concentração de UDIs são (nesta ordem): Vila Margarida (16%), Vila São Jorge (14,2%), Parque Bitarú e Esplanada dos Barreiros (12,3%) e Catarina de Moraes (11,3%), dentre outros.

Do público alvo do projeto atingido nos dois anos estudados (março/96 a março/98), encontrou-se a seguinte informação: 58,5% fizeram uso de drogas injetáveis, além do uso associado de outras drogas; 13,2% fizeram uso exclusivo de drogas injetáveis e outros 28,3% se consideram ex-usuários de drogas injetáveis.

Sistema Prisional:

O sistema prisional de São Vicente comporta uma cadeia feminina, uma cadeia masculina, uma casa de detenção e um presídio. Em cadeias públicas e delegacias permanecem presos provisórios antes de serem condenados, e nos presídios, os já condenados.

Nas instituições penais, as questões levantadas eram específicas: quantos detentos da cidade de São Vicente, ou que tivessem cometido o delito no município, e destes, quantos presos pela Lei 6.368/76. Em todas as instituições, os dados mostraram-se imprecisos ou inexistentes, sendo a alegação a falta de tempo e de funcionários disponíveis para a realização do levantamento de dados, embora sentissem a necessidade de tê-los. Todos os responsáveis por estas instituições visitadas comprometeram-se em realizar um levantamento e enviar para os pesquisadores, mas que nem sempre seria possível fazê-lo dentro do período solicitado.

Em contato com a COESP (Coordenadoria do Estabelecimento Penitenciário de São Paulo – Endereço: Av. São João, 1247 – Centro – S.P.), foi informado que as instituições penitenciárias de São Vicente subordinadas a este órgão são: presídio "Dr. Geraldo de Andrade Viera" e Penitenciária II. Não foi possível levantar os dados solicitados, pois a instituição mantém um sistema computadorizado por nomes dos detentos, e não por delitos.

O último censo penitenciário foi realizado em 1996, onde foi realizado um levantamento por delito, porém, a informante não soube localizá-lo. A orientação feita aos pesquisadores foi a de que fossem pessoalmente às instituições locais, solicitando junto aos diretores os dados necessários.

Os dados da Cadeia Feminina (Endereço: Rua José Adriano Marreis Jr., 408 - Cidade Náutica - São Vicente - SP) foram transmitidos por telefone, mostrando que a instituição recebia mulheres de toda a Baixada Santista, sendo que naquele momento (maio/98), haviam treze de São Vicente, não necessariamente enquadradas na Lei 6.368/76. A Cadeia possui capacidade para 50 detentas. Não seria possível um levantamento dentro do período solicitado de dois anos, pois a cadeia fora inaugurada em 11 de fevereiro/98. Ainda assim, os registros destes meses não eram precisos.

Em 05/05/98 foram recebidos, via fax, os dados referentes ao Presídio "Dr. Geraldo de Andrade Vieira" (Endereço: Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, Km 66) , mostrando que no ano de 1996, haviam 21 sentenciados na unidade enquadrados na Lei 6.368/76; em 1997, 32, e em 1998, até o momento, 77. A justificativa para este número reduzido é a de que, quase sempre, os crimes tem relação com droga, porém as sentenças são somadas, enquadrando o detento na mais grave. No último dia do ano de 1996, o total de presos era de 328, e no último dia do ano de 1997, 322. A capacidade do presídio é para 210 presos.

Nesta mesma data, também via fax, os pesquisadores obtiveram os dados da Casa de Detenção de São Vicente (Endereço: Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, Km 66), informando que naquele momento haviam seis sentenciados condenados pela Lei solicitada de um total de aproximadamente 800 presos. Não haviam dados de série histórica.

Também neste dia, em visita ao 1o. Distrito Policial (Endereço: Rua João Ramalho, 940 - Centro - São Vicente - SP), os pesquisadores, em entrevista com o delegado titular, foram informados de que até o dia anterior à visita, haviam no total 242 presos, e que não haviam recursos para se fazer o levantamento solicitado, porque muitos detentos estavam ali somente de passagem, pois a instituição é delegacia e cadeia. Apenas foi dito que muita gente é presa pela Lei 6.368/76, mas que ele não tinha dados precisos de quantos, e quais eram de São Vicente. Junto com outro delegado, propuseram-se a fazer um levantamento atual, mas os pesquisadores não receberam estes dados. As informações das instituições penais de que a droga é a principal causa das prisões são empíricas, sobre as quais não há nenhum dado estatístico disponível localmente.

SECIAS:

Durante o levantamento de dados, foi fornecido aos pesquisadores um documento com programas e projetos desenvolvidos pela Secretaria da Cidadania e Ação Social da prefeitura de São Vicente (SECIAS), situada à Rua Jacob Emerick, 199 - Centro - São Vicente - SP. Três destes programas estavam relacionados ao tratamento a usuários de drogas:

Projeto Criar: surgiu para lidar com o abandono de crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social, em razão de sua conduta, garantindo seu direito à convivência familiar, comunitária e acesso aos serviços como forma preventiva para o não agravamento da situação, em especial a vivência infracional e/ou a dependência de drogas. Oferece um acompanhamento continuado, extensivo ao núcleo familiar. Não há dados sobre demanda e oferta.

Projeto Resgatando: atende crianças e adolescentes do sexo masculino e que encontram-se em situação de risco pessoal e social. É oferecido neste Projeto, a oportunidade para que estes meninos possam resgatar e refletir suas histórias de vida. O Projeto possui capacidade para atender trinta e cinco crianças e adolescentes na faixa etária dos 07 aos 18 anos. Além destes meninos receberem aulas de reforço escolar, recreação, esportes, expressão artística, aulas de capacitação profissional, atendimento médico e odontológico, também suas famílias recebem acompanhamento social.

Casa Xandico: a casa tem capacidade para atender doze crianças e adolescentes, do sexo masculino, na faixa etária dos 10 aos 17 anos e 11 meses. Como proposta visa o acolhimento, abrigo, proteção e orientação de crianças e adolescentes, desprotegidos ou em estado de abandono, usuários de drogas, com ou sem problemas de conduta ou mesmo vivência de rua.

Secretaria da Saúde de São Vicente - DST/AIDS:

São Vicente, pelos dados do Ministério da Saúde era considerada em janeiro/98 a 10º cidade do ranking nacional em número de casos de AIDS proporcionais à população. Os dados do Boletim Epidemiológico, publicado pela Secretaria da Saúde em janeiro/98 apontavam para 1273 casos de AIDS notificados no município desde 1984 sendo destes, 34,2% diretamente associados ao uso de drogas injetáveis.

Esta era a categoria de transmissão com maior proporção de casos na cidade. Isto é claro, sem considerarmos a contaminação das parceiras sexuais dos UDIs, estimada no Estado de São Paulo cerca de 40% da mulheres, cujo fator de contaminação foi notificado como transmissão heterossexual. Por todos esses motivos, dentre as diversas conseqüências para a saúde do consumo de drogas na Cidade, sem dúvida a epidemia de HIV/AIDS é um fator de enorme relevância.

Estudos Epidemiológicos:

Não há estudos epidemiológicos realizados em São Vicente com relação à associação de uso de drogas e conseqüências para a saúde. Na região da Baixada Santista há dois Estudos relevantes realizados pelo IEPAS, sempre tendo como base, a cidade de Santos. Os dois Estudos são o Estudo Multicêntrico de HIV/AIDS entre usuários de drogas injetáveis da OMS - fase I, desenvolvido entre 1991 e 1992. O segundo é o Projeto Brasil, desenvolvido entre 1994 e 1996, outro Estudo Multicêntrico, agora nacional, e que também teve como base na região a cidade de Santos. Há muitas características comuns na Região Metropolitana da Baixada Santista, em relação ao uso de drogas, suas consequências para a saúde e suas decorrências. Neste sentido, vale a pena ressaltar os dados mais relevantes dos resultados destes Estudos (vide tabela), para facilitar possíveis analogias.

Estudo Multicêntrico
da OMS (91/92)
Projeto Brasil
(94/96)
Número de UDIs
entrevistados
220 140
Taxa de Soroprevalença
para HIV
62% 63%
Compartilhamento de
Agulhas e Seringas
56% 42%
Fonte Principal de
Aquisição de Seringas
Farmácias Farmácias
Idade do primeiro
uso injetável
19 19,7
Droga mais utilizada
injetável
cocaína cocaína
Sexo dos UDIs
masculino 58,18% 83,13%
feminino 41,82% 16,87%
Fonte: Final Report OMS (1994 ); Relatório Final do Projeto Brasil (1997 ).


Entrevistas Individuais em Profundidade

A seguir vamos entrar nas entrevistas individuais em profundidade, agrupadas por papel social homogêneo. Estas entrevistas foram divididas nos Grupos: UDIs; Ex- UDIs; UDs; jurídico policial; comunidade; e saúde. Conforme já anteriormente descrito, demos maior destaque à opinião dos atuais UDIs pelo caráter da pesquisa centrado em conseqüências para a saúde do uso de drogas, com particularidade em transmissão de HIV e AIDS.

Estas entrevistas foram gravadas e transcritas, encontrando-se em sua totalidade disponíveis para uma avaliação mais profunda na sede do IEPAS cito à Av Campos Sales, 59 - V Mathias - Santos - S.P.

Utilizamos como instrumento de análise a construção de um discurso coletivo, fundado em expressões chaves dos participantes. Estes estão identificados pela primeira inicial do nome, idade e sexo. O critério de utilizar apenas a primeira inicial do nome foi principalmente o de preservação da fonte no sentido estrito e genérico da palavra preservação, e foi utilizado para as entrevistas UDI, ex-UDI e UDs. Há ainda disponível um quadro ao final de cada agrupamento homogêneo, onde se encontram informações de ocupação na data da entrevista, sexo e idade, onde foi possível encontrar estes dados.

O discurso coletivo "socialmente aceitável" pode ser encontrado reproduzido em todos os agrupamentos homogêneos de entrevistas individuais, se reproduz nos grupos focais, e na maioria das fontes consultadas para "dados existentes". É portanto aquilo que gostaríamos de ouvir sobre o fenômeno do uso de drogas e suas conseqüências para a saúde; mais que isto, é na verdade o que ouvimos e reproduzimos acriticamente. Talvez isto explique porque um fenômeno tão discutido encontra quase nenhuma solução. Mesmo assim existem informações valiosas vindas dos depoimentos de todos os agrupamentos, que merecem uma leitura atenta.

No caso dos UDIs, vale ressaltar que existe uma diferença expressiva entre o discurso socialmente esperado, construído coletivamente, e algumas idéias centrais que motivaram expressões que explicam melhor o porque do uso de drogas, mecanismos de defesa da saúde por eles empregados e a relação de fato que estabelecem com sua rede social, ai incluída a família. Este é portanto o mais rico material de todo Estudo, tem um destaque neste relatório, mas merece uma análise mais detalhada no futuro.

Estudo Multicêntrico de Diagnóstico Rápido do Consumo de drogas e suas conseqüências à saúde.

Estudo de soroprevalença e comportamento entre usuários de drogas injetáveis (UDIs) na região da Baixada Santista e em outras 20 cidades do mundo.

Estudo de Diagnóstico Rápido de Drogas

Consentimento Informado para Participação na Pesquisa

A- Objetivos do Estudo:

O presente projeto de pesquisa tem como objetivo estabelecer um diagnóstico rápido sobre a situação do uso de drogas, a transmissão do HIV e outras doenças entre UDIs.

A coordenação deste projeto na Baixada Santista está a cargo do Dr. Fábio Mesquita, do IEPAS e do NUPAIDS/USP (LIM 01).

B- Procedimentos:

Se eu concordar em participar deste estudo deverei:

responder a um questionário a cerca de dados pessoais, comportamentos de risco para o contágio pelo HIV e outros problemas de saúde, e sobre o uso de drogas, ou;

participar de grupo focal onde disporei sobre a situação de drogas na região do Estudo, ou;

participar de entrevistas não estruturadas onde falarei sobre consumo de drogas e atividade sexual, ou;

Eu receberei uma quantia equivalente ao meu tempo dispendido com o Estudo e gasto com transporte, à título de ajuda de custo. (equivalente a US$ 10,00 em março de 98).

As diversas entrevistas durarão cerca de 40 minutos.

C- Riscos e desconfortos

Confidencialidade:

Meus dados pessoais serão arquivados em locais seguros a que só terão acesso os responsáveis pelo projeto. Minha identidade pessoal não será mencionada em qualquer hipótese. Os dados publicados serão referentes ao conjunto de pessoas participantes do Estudo, de forma a não permitir a identificação de qualquer um dos participantes.

D- Dúvidas:

Em caso de dúvidas ou comentários adicionais acerca deste projeto poderei me comunicar com o Dr. Fábio Mesquita coordenador do projeto no IEPAS, a Av Campos Sales, 59.

E- Consentimento:

A participação neste Estudo é absolutamente voluntária. Eu poderei abandonar este Estudo, a qualquer momento, sem prejuízo pessoal. Contarei com apoio da coordenação, independentemente de minha participação ou não na pesquisa, no sentido de obter orientação quanto ao aconselhamento e eventual tratamento médico em atenção `a solicitações individuais.

Eu li este formulário, e recebi as explicações necessárias da/do


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               Código dos Entrevistados ____________
entrevistador


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Data, local


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Entrevistador


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Participante

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